Crachá CLT ou PJ: crachá de analista rasgado se transformando em cartão de prestação de serviços PJ

Para um salário CLT de R$ 10.000, o líquido em 2026 é R$ 7.442,36 por mês. Somando FGTS, 13º e férias diluídos, o pacote equivale a R$ 10.186,80 mensais. Um PJ no Simples Nacional só empata com isso emitindo nota de aproximadamente R$ 11.300. Abaixo disso, o CLT paga mais.

Esse número muda conforme sua faixa salarial, e mudou bastante em 2026. A Lei 15.270/2025 zerou o Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5.000 por mês, o que inverteu a conta para uma faixa inteira de profissionais que antes migrava para PJ quase por padrão.

Abaixo está o cálculo dos dois regimes com as tabelas vigentes, o ponto de equilíbrio em cada faixa e o que entra na conta além do salário.

Quanto sobra do salário CLT em 2026

O líquido CLT é o salário bruto menos INSS e Imposto de Renda. Duas tabelas mudaram neste ano, e as duas empurram o líquido para cima.

O desconto de INSS segue uma tabela progressiva por faixa salarial, atualizada pela Portaria Interministerial MPS/MF nº 13/2026:

A alíquota incide só sobre a parcela dentro de cada faixa, não sobre o salário inteiro. E o desconto trava no teto: quem ganha R$ 8.475,55 ou mais paga sempre R$ 988,09, nunca mais que isso. Um salário de R$ 20.000 desconta o mesmo INSS que um de R$ 9.000.

Imposto de Renda. A Lei 15.270/2025 criou um redutor que zera o imposto até R$ 5.000 mensais. Entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350, o redutor diminui de forma gradual. Acima de R$ 7.350, não há redutor e vale a tabela progressiva normal.

Na prática, três cenários:

Quem ganha R$ 5.000 hoje leva para casa 90% do bruto. Esse é o dado que mais desloca a decisão entre os dois regimes em 2026, e é recente o bastante para não estar na maioria das comparações que circulam por aí.

O que não aparece no contracheque. O CLT também acumula FGTS de 8% ao mês, 13º salário e férias com adicional de um terço. Diluído por mês, um salário de R$ 10.000 gera mais R$ 800 de FGTS, R$ 833,33 de 13º e R$ 1.111,11 de férias. Ignorar isso é o erro mais comum de quem compara os dois regimes olhando só o valor da nota.

Quanto sobra do faturamento PJ

No PJ, o valor da nota não é o que entra na conta. Saem impostos, custo de estrutura e as reservas que no CLT vêm prontas.

Imposto. No Simples Nacional, a alíquota inicial de serviços é 6% sobre o faturamento, recolhida em guia única (DAS). O anexo em que a empresa cai depende do Fator R: se a folha, incluindo pró-labore, representa 28% ou mais do faturamento, a atividade vai para o Anexo III, com alíquota menor que a do Anexo V. Essa é a alavanca que mais muda o resultado final, e é decisão de planejamento, não sorte.

INSS sobre pró-labore. O sócio retira pró-labore e recolhe 11% sobre esse valor. Sobre o mínimo de R$ 1.621,00, são R$ 178,31 por mês. Vale registrar porque circula muito a informação de que a alíquota é 20%: os 20% são a cota patronal, que nas empresas de Anexo III e V já está embutida na DAS e não é cobrada à parte.

Custos de estrutura. Contabilidade, e as reservas que substituem o que o CLT dá pronto: férias, 13º e os meses sem faturamento. Quem não separa essas reservas todo mês descobre o problema em dezembro, ou no primeiro mês em que um cliente atrasa.

A Adaflow é consultada com frequência nesse ponto, porque muita gente calcula o líquido PJ esquecendo que a reserva de férias e 13º é custo mensal, não sobra.

A partir de qual valor de nota o PJ compensa

Comparação de um CLT de R$ 10.000 com um PJ no Simples Nacional, alíquota de 6% e contabilidade digital:

Nesse cenário, o ponto de equilíbrio fica em torno de R$ 11.300 de nota. Acima disso o PJ passa à frente, mesmo descontando as reservas.

Mas o ponto de equilíbrio se desloca conforme a faixa:

  • Até R$ 5.000 CLT: a vantagem do PJ encolheu bastante em 2026. Com IR zerado, o CLT entrega quase todo o bruto e ainda soma FGTS e 13º. Aqui o PJ precisa de uma diferença grande de valor para compensar.
  • Entre R$ 5.000 e R$ 8.475: faixa de transição, onde o redutor do IR vai sumindo e o INSS ainda não travou no teto. É a faixa que mais exige simulação caso a caso.
  • Acima de R$ 8.475: o INSS trava no teto e o IR chega em 27,5%. Aqui o PJ tende a compensar com margem, e é onde está a maior parte dos profissionais de tecnologia.

Os números acima usam alíquota de 6% e contabilidade de R$ 200. Alíquota efetiva maior, plano de saúde particular ou previdência privada mudam o resultado.

Simular com os seus números é o que separa uma decisão informada de um palpite. E é exatamente o cenário que a Adaflow monta antes da abertura do CNPJ, incluindo o teste de Fator R.

O que a conta não mostra

Nem tudo na escolha é valor. Alguns pontos não entram na planilha e pesam tanto quanto:

  • O CLT protege. Seguro-desemprego, estabilidade em afastamento médico, licença-maternidade e FGTS com multa de 40% na demissão sem justa causa. Quem tem dependentes, condição de saúde ou pouca reserva compra previsibilidade real com essa diferença.
  • O PJ exige gestão. Nota emitida todo mês , DAS no prazo, DEFIS anual, escrituração, separação entre conta física e jurídica. Misturar as contas é uma das causas mais comuns de autuação, e o problema costuma aparecer meses depois.
  • O PJ abre portas que o CLT não abre. Múltiplos clientes ao mesmo tempo, contrato com empresa no exterior, receita em moeda estrangeira. Para quem trabalha com tecnologia, essa costuma ser a diferença maior, mais que a economia de imposto.

Como decidir com os seus números

Três passos, na ordem:

  1. Calcule seu líquido CLT real , somando FGTS, 13º e férias diluídos por mês. É esse número, não o bruto do contracheque, que entra na comparação.
  2. Descubra o valor de nota equivalente , considerando imposto, contabilidade e as reservas que você vai precisar guardar sozinho.
  3. Teste o Fator R antes de escolher o CNAE. Anexo III ou Anexo V muda a alíquota, e isso se define no enquadramento, não depois.

A ordem importa: escolher CNAE e regime errado no começo custa mais caro para desfazer do que para acertar de primeira.

Perguntas frequentes

Vale mais a pena ser CLT ou PJ?

Depende da faixa. Para um CLT de R$ 10.000, o PJ passa a compensar a partir de uma nota de aproximadamente R$ 11.300 no Simples Nacional. Até R$ 5.000 de salário, a vantagem do PJ diminuiu em 2026 porque o IR foi zerado nessa faixa.

Quanto desconta de INSS em 2026?

De 7,5% a 14%, por faixa progressiva, até o teto de R$ 8.475,55. Quem ganha o teto ou mais desconta sempre R$ 988,09.

Quem ganha até R$ 5.000 paga Imposto de Renda?

Não. A Lei 15.270/2025 zerou o imposto até R$ 5.000 mensais desde janeiro de 2026. Entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350 há um redutor decrescente, e acima disso vale a tabela progressiva normal.

Qual o INSS sobre pró-labore?

11% sobre o valor da retirada. Sobre o mínimo de R$ 1.621,00, são R$ 178,31 mensais. Os 20% que se costuma citar são a cota patronal, já embutida na DAS nos Anexos III e V.

Que impostos um PJ paga no Simples Nacional?

DAS mensal, a partir de 6% sobre o faturamento de serviços, e o INSS sobre pró-labore. ISS, IRPJ, CSLL, PIS e COFINS já estão dentro da DAS, não são pagos à parte.

O que perco saindo da CLT?

FGTS com multa de 40% na demissão sem justa causa, seguro-desemprego, 13º e férias garantidos, estabilidade em afastamento médico e licença-maternidade. Como PJ, esses valores precisam sair de reserva própria.

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